

Entre o principal monumento do Cinquantenaire e o Circo montado para receber o evento Culinária Square haviam carros…muitos carros!!!
O estacionamento não foi delimitado e gerou muita confusão nos 30′ em que eu e uma pequena multidão aguardávamos a abertura do portão (funil) do Evento.


O atraso não rendeu nenhum protesto, mesmo com o trânsito de ônibus que insistiam em passar entre e rente as pessoas.
Apenas os manobristas ou seguranças do evento gritavam como loucos, ora contra o povo que aguardava (???), ora com os motoristas que avançavam.
Desagradável!!!
Juro que nessa hora pensei em voltar para minha zona de conforto, digo, meu lar…


…mas a movimentação do staff e todo o aparato denunciavam que lá dentro a coisa seria um pouco mais organizada
Ok, esqueci de dizer também que não fui embora pois estava doidinha para ver como os Chefs dos 16 restaurantes convidados (todos com cotação no Guide Michelin) iriam apresentar suas criações.


Já dentro do evento recebi, da atendente nervosa, o passaporte Menu número 04, escolhido por ela aleatóriamente numa pilha de papéis. Tive de solicitar o folder, que ela esquecia sistemáticamente de entregar as pessoas…
Explicando o passaporte:
Quando comprei meu ticket via internet (pela bagatela de 39 euros) optei pela fómula exposição, cursos e degustação de um Menu composto por 2 entradas, um prato principal e uma sobremesa, harmonizados por vinhos.
Fui direto para a área, organizadíssima por sinal, dos Stands dos restaurantes. E a sorte me guiou diretamente para a área do meu Menu!!!
A cada Stand o passaporte era apresentado, ganhava o carimbo e a gente… o direito de pegar o pratinho, os talheres e a taça de vinho.


Meu primeiro contato foi com o Stand do reservado Chef Bart De Pooter do Restaurante Pastorale.
Ele oferecia uma composição de arpargos de Werchter, ovo de codorna poché e maionese de estragão.
Faltou alguma coisa, no prato e no Chef, achei os dois sem expressão.
Tudo estava impecavelmente arrumadinho, do pratinho ao Stand. O silêncio reinava tão absoluto que tive até a impressão que o Chef e seus ajudantes brincavam de estátua.


Pratinho gostoso mas sem surpresa… uma entrada previsível!
Já um pouco desanimada e sem pressa nenhuma de continuar o menu, fui encorajada pelos meus companheiros de mesa, que estavam ali pesquisando o mercado para a montagem de um Bar au vin, a me render ao sabor da segunda entrada.
Eles tinham toda razão!!!
Assim que entrei no Stand do Chef Wout Bru do Chez Bru senti vibrar uma cozinha.
O cheiro de nozes no ar me enchia a boca d’água enquanto meus olhos (enormes!!!) devoravam os seus aparatos. Pratinho, digo, verrine, montada na hora…sem stress mas com muita concentração e respeito.


O Cone para encher as verrines eu já tenho, mas o siphon, ai, ai, ai… perdi o preconceito de vez e ele entrou definitivamente para minha lista de sonho de consumo!!!


Quanto a entrada…surpreendente!!!
King crabe cozido no vapor, ostras, brotos de espinafre e mousse, daí o desejo pelo Siphon
, de batatas.
Coroando a verrine, um crocante que penso ser cogumelos em óleo de nozes…um luxo para o olfato e o paladar!!!
Um encontro perfeito entre sabores e texturas.
Um presente para minha papilas gustativas que saltavam de felicidade a cada colherada e ao final da verrine ficou um gosto de quero mais, muito mais… que já me fez colocar o restaurante na minha lista de prioridades para a próxima ida a França ou melhor… ele vai ser o motivo para a própria viagem.
Nossa mesa que já estava animadíssima recebeu o reforço de uma simpática italiana que disputava comigo o prêmio tagarela do dia
Pedi licença aos meus novos gastroamiguinhos
e segui para o Stand do restaurante Senza Nome, comandado pelo Chef Giovanni Bruno, de onde exalava um cheiro de cozinha da Nona.
A sua geladeira bandeira
Smeg era um espetáculo a parte!


O prato também finalizado na hora, era um suculento frango passarinho desossado cozido em baixa temperatura com alho e alecrim, espuma de Grana Padano servido com um risotto ao perfume de pachino


Mediante ao meu entusiasmo e ao sons de vários hummms que ecoavam da nossa mesa, o simpático Chef vem ao nosso encontro nos regalar com histórias e receitas de sua infância, nos contando a origem do prato e o quão dificil foi traze-lo para o evento sem que o mesmo perdesse em sabor.
Eu fiquei tão apaixonada pela sua cozinha simples e aconchegante, que já estava jurando que logo, logo estarei no seu Restaurante para comer de novo em sua mão.
Me tirando do transe
meus gastroamiguinhos comentam sobre a sobremesa… corri para pegar a minha no stand do Chef Lesley De Vlieger do Terborght. Outro stand arrumadinho e… cadê o Chef que não está aqui…
Já a sobremesa dele… estava alí sim para o que desse e viesse…


Tortinha São Tomé de Chocolate, crème brûlée de alfazema, bolinhas de banana e geléia de framboesa apimentada, caramelo amargo.
O crème brûlée estava maravilhoso e a bolinha de banana morna coberta com uma camada crocante de chocolate e pistache me seduziu. Já o bolinho de São Tomé não me agradou, pesou na textura e no gosto.
A geléia apimentada de framboesa, deliciosa por sinal , sobrava no prato, assim como o açucar mascavo e a gotinha de creme laranja, que minhas papilas gustativas, já saturadas pelo chocolate denso do bolinho, não conseguiram identificar o que era.
As folhinhas de manjericão foram perfeitas para encerrar a refeição dando um frescor ao hálito.
Me despedi dos meus gastroamiguinhos, feliz da vida por estar ali
, e parti animada para a maratona de cursos proposta pelos organizadores do evento
…
Fotos e relato prá lá de longo
: fruit de ma passion